É impressionante a
capacidade intuitiva humana. O uso dessa habilidade é muito importante na construção do conhecimento
científico. Por exemplo, quem teve a idéia de aplicar aspirina em plantas? Será que isso funciona
para orquídeas também? - Quem quiser saber a resposta poderá experimentar: isso
é ciência.
Falando em ciência, ela se constrói na base da observação. Nesse assunto
de Aspirina & Orquídea, segundo testes
realizados por Dot Henley*, a aplicação semanal de cerca de 250 mg de
aspirina diluída e 4 litros de água
promoveu maior crescimento, e menor ataque de fungos nas plantas em seu
orquidário. Pois bem, se achar que essa técnica poderá valer à pena, tente você
mesmo algo parecido.
A aspirina nada mais é que o Ácido Acetil Salicílico (composto
industrial), o mesmo princípio ativo dos comprimidos (AAS). Nas células
vegetais o equivalente dele são os salicilatos.
As flores de corte sobrevivem mais e melhor quando se acrescenta um
pouco de aspirina na água do vaso. Uma explicação para isso seria a alteração
da acidez da água para uma faixa de Ph que dificulta a proliferação de
bactérias e fungos e também na redução do estresse da planta por causa do corte.
Enquanto a tendência nas células afetadas é aumentam a produção de etileno que acelera
o envelhecimento e morte dos tecidos (senescência na linguagem agronômica) o AAS inibe a síntese dele.
Como a aspirina pode contribuir com a orquídea? – Se os salicilatos na
planta inibem a síntese de etileno, então é de se esperar que nas orquídeas a
aplicação de doses corretas de AAS (substancia similar) também promova a
redução dos seus efeitos e por isso as plantas tratadas sejam capazes de suportar
melhor as condições adversas como o ataque de pragas ou variações bruscas de
temperaturas, etc.
Veja bem, em primeiro lugar, no Brasil esse medicamento não está
regulamentado no Ministério da Agricultura para esse fim, portanto não pode ser
receitado para uso agronômico; segundo, nenhum medicamento deve ser empregado
indiscriminadamente e a ainda, se as suas orquídeas não apresentam problemas de
desenvolvimento porque usar químicas?
No entanto, se ainda achar por bem testar o efeito da aspirina em orquídea
faça isso por
sua própria conta e risco. Apenas como sugestão, para proteger suas
plantas, siga o conselho de quem já teve experiência no assunto.
Embora ainda não tenha usado AAS em orquídea, o princípio tem
fundamento fisiológico e possivelmente poderá funcionar. Quer saber a resposta?
Renato Moraes
Abreu
Eng. Agrônomo, MS em Fitotecnia/ 27-9911 6530
labeloinvitro@gmail.com

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